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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fiel da Igreja Presbiteriana se acorrenta e protesta contra venda suspeita do predio da Igreja em Imperatriz

A princípio, parecia algo que seria encerrado minutos depois. Algumas pessoas passavam, olhavam e até chegaram a questionar a sanidade mental do aposentado Epitácio Miranda, advogado e funcionário aposentado do Banco do Brasil, onde trabalhou 26 anos. O homem de 66 anos sabia exatamente o que estava fazendo.

O protesto, que começou às 10h30 de quinta-feira, tinha um único objetivo. “Conquistar meu direito de voltar a frequentar a minha igreja, da qual participo há 40 anos”. Seu Epitácio afirma que foi afastado da Igreja Presbiteriana do Brasil por não concordar com o conselho eclesiástico e questionar a possibilidade de venda de parte do terreno. A área é localizada em uma quadra formada pelas ruas Antônio de Miranda, Maranhão, Bom Futuro e Piauí, no centro da cidade. Ele está afastado da igreja há cerca de quatro meses.

“Fui convidado pelos jovens para tratar com o conselho sobre isso. Para vender, não se tinha um projeto, nem como seria investido o dinheiro. Por isso, fui afastado da minha igreja. Para isso eu precisava ser informado pelo menos o motivo, como manda o Manual Presbiteriano”, explica Epitácio, segurando o livro.

O líder da Igreja Presbiteriana do Brasil em Imperatriz, pastor Paulo Miguel dos Santos, disse a nossa reportagem que a igreja, com 47 anos na cidade, “tem um sistema jurídico eclesiástico para decidir situações, que depende muito de como as coisas andam para ela poder ganhar um rumo. É lamentável o que está acontecendo. Não tinha necessidade de acontecer isso. Seu Epitácio caluniou o conselho, dizendo que o conselho da igreja estava fazendo negócio ilícito na cidade em nome da igreja”, argumentou.

Diante da situação, o conselho teria convocado o manifestante quatro vezes para explicar a denúncia feita durante um culto dominical. “Mandamos convocação, é normal, é dentro dos parâmetros da nossa igreja”. Seu Epitácio não teria atendido e foi convidado pessoalmente pelo pastor Paulo. “Novamente não atendeu. É tido por rebeldia”, explica. Pelas normas da igreja, o aposentado foi punido. “Foi afastado da comunhão, mas pode frequentar os cultos”, reforça o pastor.

Pouco antes das 16 horas, depois de entrevistado por várias equipes de reportagem, seu Epitácio deu sinais de cansaço e resolveu encerrar o protesto. Deixou o sobrinho retirar a chave de um dos bolsos da calça, onde havia guardado, e abrir o cadeado. “Estou com as pernas fracas e cansado”, comentou.

Epitácio foi amparado por um parente até o carro de um dos jovens da igreja, que deu apoio à manifestação. “Seu Epitácio está nós representando. Houve afastamento dele na frente de toda a igreja”, diz o jovem, que pediu para não ser identificado. O rapaz acredita que o problema poderia ter sido resolvido de outra maneira. “Creio que virou algo pessoal entre seu Epitácio e o pastor. Falta comunhão entre os dois”, afirmou, mas também julgou ter sido arbitrária a decisão de punir o aposentado e disse ser contra a venda de parte do terreno da igreja.

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