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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fiocruz inclui Piquiá de Baixo no Mapa de Conflitos Ambientais do Brasil

05Pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) lançaram em 2013 o livro, “Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil: o Mapa de Conflitos”, que aborda os problemas enfrentados por comunidades impactadas pelos grandes projetos de ‘desenvolvimento’. Entre as comunidades estudadas está Piquiá de Baixo, distrito industrial de Açailândia (MA), onde vive cerca de 300 famílias, que sofrem com diversos problemas de saúde e danos ao meio ambiente decorrente das atividades do pólo siderúrgico situado no local.

O trabalho chefiado pelo pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do trabalhador (Cesteh), Marcelo Firpo, tem como objetivos tornar públicos os conflitos ambientais, explicitando os diferentes tipos de impactos envolvidos, combater a política de ocultamento dos problemas causados por esse modelo de ‘desenvolvimento’, reduzir a vulnerabilidade das populações atingidas e fortalecer os processos de resistência e luta por justiça ambiental.

De acordo com os dados divulgados no livro, os principais problemas enfrentados pelos moradores de Piquiá estão relacionados à saúde e ao meio ambiente. Para o professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), André Burigo, o trabalho dos pesquisadores traz diferentes contribuições para a compreensão dos impactos dos grandes projetos, ao abordar temas centrais como, “os conflitos ambientais, os movimentos por justiça ambiental e sua relevância para o campo da saúde pública”.

O Livro destaca ainda o relatório feito pelo biólogo Ulisses Brigatto, na empresa Gusa Nordeste, que detectou as irregularidades no desrespeito ao meio ambiente, e traz também o relatório da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), divulgado em 2011, que faz uma análise do contexto do conflito em Piquiá de Baixo, estacando a atuação da empresa Vale S/A e sua influência econômica e política no local. Apresenta um histórico das comunidades atingidas e constata as principais violações de direitos humanos e problemas de saúde das comunidades.

Burigo explica que esse modelo de desenvolvimento atual mostra a gravidade da crise civilizatória que vivemos. “Esse modelo guarda como características principais situações de injustiça ambiental: concentração de renda e de poder; exploração insustentável dos recursos naturais; e autoritarismo na tomada de decisão sobre o uso dos territórios, não envolvendo as comunidades que ali vivem, relacionando-se com a violação de direitos humanos dessas populações e contribuindo com suas diferentes consequências na saúde”, afirma o pesquisador.

O Mapa de conflitos é um projeto desenvolvido em conjunto pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e pela Federação dos Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase), com o apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde. Além de Marcelo Firpo, os pesquisadores Tania Pacheco e Jean Pierre Leroy também são organizadores do livro, que foi publicado pela Editora Fiocruz.

Por Domingos de Almeida

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