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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Depois que blogueiros aceitaram ser os olhos da população, viraram alvo de perseguição de toda ordem

Encerradas as eleições de 2018, restou o saldo de mais de 100 processos contra blogueiros e jornalistas que decidiram montar blogs. São ações das mais absurdas que fazem o homem ou mulher que escrevem a repensar milhões de vezes se pretendem ainda continuar como blogueiros. 
Reconheço que a Justiça é o caminho ideal para quem se achar atingido em sua honra, mas é necessário que se observe bem o entendimento do Supremo Tribunal Federal quando julga ações do tipo “atingiu minha honra”. Compreensão totalmente diferente da maioria das daqui decididas.
Aliás, no Maranhão  o autor estabelece  ao réu preços como forma de punição, como se a honra tivesse uma tabela. Existem até advogados de plantão para ações que possam arrancar alguns de comunicadores.
Em recente pesquisa que acompanhei tomei um susto quando constatado que o Maranhão é o estado com o maior volume de processos contra jornalistas e blogueiros. Os Oficiais de Justiça não acertam mais outro caminho.
E qual a razão de tantos processos? Fácil de explicar: Jornais impressos e TVs, assim como emissoras de rádios, nunca tiveram a coragem de ousar denunciar qualquer membro do Judiciário, do Ministério Público ou de órgãos de controle. Gestores públicos, como prefeito, por exemplo, nunca tiveram tantos fiscais que apontem seus delitos como fazem os blogueiros.
Quando um prefeito senta numa roda e começa a gargantear que manda nesse ou naquele juiz ou desembargador, no dia seguinte sai no blog. Quando um prefeito afastado espalha na cidade até a data do seu retorno e pelas mãos de quem, sai na mesma hora em algum blog. Ao invés de ser chamado para provar o que o gestor disse, o blogueiro é penalizado pela Justiça e o prefeito sequer é convidada a se explicar.
No Maranhão, nos últimos dez anos, seis blogueiros foram mortos, sendo Décio Sá e Ítalo Diniz os casos mais conhecidos e que ganharam fama nacional. O de Décio rodou o mundo. Eu quase ia também, pois o aguardava em um restaurante e ele foi comer caranguejo na avenida Litorânea, como todos sabem.
As investidas no Judiciário ou até mesmo de iniciativa da própria Justiça estão excessivas e absurdas. Por contrariar um então comandante Geral da PMMA e um secretário de Segurança daquela época, sofri 36 processos, todos de oficiais militares, sendo a maioria obrigada pela força da hierarquia a fazê-la. O objetivo era fazer-me rodar o Maranhão em audiências, ser condenado na maioria, e acabar pagando aquilo que não tinha e nunca terei, além de encerrar meus dias na prisão. Deus sempre esteve comigo.
Agora, nestas eleições, fui processado pelo candidato Márcio Jerry por publicar que ele teve uma mudança súbita de padrão de vida e que iria se eleger como os votos de curral eleitoral. Fui condenado e já estou com o boleto para pagar a quantia estabelecida; menos o dinheiro. O juiz entendeu que denegri a imagem do candidato e Jerry foi eleito com mais de 130 mil votos, quando na eleição anterior não teve nem 3 mil votos, não sem antes mudar de um pequeno apartamento no Vinhais para um luxuoso na Lagoa da Jansem. E ainda fiquei proibido de criticar Jerry durante toda a campanha.
Esse é só um trecho de uma série de outros que virão daqui pra frente. Os blogueiros, como bem afirmam as pessoas que nos trazem as denúncias, são os únicos com coragem para denunciar quem pratica ilicitudes, notadamente políticos e empresários.
Acabamos de ganhar um aliado forte e que em breve levará nossos gritos quase reprimidos aos olhos do STF, do CNJ, da ABI por tratar-se de uma ONG com atuação no mundo inteiro voltada para defender comunicadores ameaçados pela censura e por balas.
Por Luis Cardoso
Jornalista

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